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01 · Matéria, ferramentas matemáticas, eletricidade, dispositivos e lógica 15 / 214

Eletrostática do capacitor MOS

Sobre este capítulo Dispositivos semicondutores e lógica elétrica
Nível
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Módulo
Dispositivos semicondutores e lógica elétrica
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Neste capítulo
O capacitor metal-óxido-semicondutor é o núcleo eletrostático da tecnologia MOS. Ele converte tensão de gate em redistribuição controlada de carga na superfície do semicondutor sem exigir condução CC direta através do dielétrico. O mesmo mecanismo de controle por campo se torna, no MOSFET, o mecanismo de controle do canal. Este capítulo deriva a estrutura MOS a partir de eletrostática, capacitância do óxido, diferença de função trabalho, tensão de flat-band, potencial de superfície, acumulação, depleção e inversão. Depois desenvolve carga de depleção, conceitos de threshold, comportamento C-V em baixa e alta frequência, cargas de interface, campo no óxido, scaling, equivalent oxide thickness e energia armazenada. A fronteira com o ChrisOS é explícita: a árvore atual não contém solver de dispositivo MOS nem modelo elétrico em nível de transistor; o capítulo é um pré-requisito físico para compreender o hardware sobre o qual o software executa.

Pré-requisitos e escopo

São necessários:

  • campo elétrico e potencial eletrostático;
  • capacitância e energia armazenada no campo elétrico;
  • bandas, nível de Fermi e dopagem;
  • eletrostática de depleção da junção p-n;
  • logaritmos e equações diferenciais unidimensionais.

A estrutura MOS pode ser representada como:

condutor do gate
====================
óxido / dielétrico
--------------------
semicondutor
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
contato de corpo

O gate é separado do semicondutor por um dielétrico isolante. Idealmente, nenhuma corrente CC permanente de gate é necessária para estabelecer o campo elétrico. A tensão do gate altera o potencial eletrostático próximo à superfície, e esse potencial modifica a concentração de portadores.

Primeiro será usado um modelo planar unidimensional ideal; depois serão introduzidas não idealidades. Isso não implica que transistores modernos sejam literalmente um único óxido clássico sobre substrato uniforme.

Geometria e sistema de coordenadas

Considere x normal à superfície.

Uma convenção possível é:

x < 0        gate
0..t_ox      óxido
x > t_ox     semicondutor

Para equações compactas, também é comum colocar a superfície do semicondutor em x = 0 e representar o óxido como elemento série separado. A origem é arbitrária desde que sinais sejam definidos consistentemente.

Grandezas importantes:

Símbolo Significado
t_ox espessura do dielétrico
ε_ox permissividade do dielétrico
ε_s permissividade do semicondutor
C_ox capacitância do óxido por área
V_G tensão de gate em relação ao corpo
ψ_s potencial de superfície em relação ao bulk
Q_s carga líquida no semicondutor por área
Q_g carga de gate por área
V_FB tensão de flat-band
φ_F magnitude do potencial de Fermi do bulk na convenção adotada

Os sinais de ψ_s e Q_s dependem do tipo de substrato e da convenção. Acumulação e inversão abaixo usam explicitamente substrato tipo p.

Capacitância do óxido

Para dielétrico uniforme ideal:

C_ox = ε_ox / t_ox

A capacitância total para área A é:

C_ox,total = A ε_ox / t_ox

O deslocamento elétrico no óxido ideal relaciona-se à carga por:

D = ε_ox E_ox

Q_g = D

com sinal conforme a direção normal escolhida.

Reduzir t_ox ou usar dielétrico de maior permissividade aumenta a capacitância por área.

Isso fortalece o controle eletrostático, mas altera campo elétrico, tunelamento, dificuldade de fabricação e parasitas.

Neutralidade de carga no empilhamento ideal

Ignorando carga fixa no óxido e na interface:

Q_g + Q_s = 0

Essa é uma relação de capacitor.

A carga Q_s não precisa ser uma folha infinitamente fina. Em depleção, ela se distribui por uma região espacial de dopantes ionizados.

Em inversão, a carga total do semicondutor pode conter depleção e uma camada móvel de inversão.

Portanto o capacitor MOS não é apenas um capacitor de placas paralelas com segunda placa fixa.

Decomposição da tensão de gate

Uma relação eletrostática útil é:

V_G
=
V_FB
+
ψ_s
-
Q_s / C_ox

em uma convenção comum em que Q_s é carga por área no semicondutor.

A equação separa:

  • offset de flat-band;
  • variação de potencial dentro do semicondutor;
  • queda de tensão no óxido.

Livros podem apresentar sinais equivalentes diferentes conforme a convenção de Q_s e ψ_s. O conteúdo físico é o mesmo: a tensão aplicada é dividida entre o dielétrico e a eletrostática do semicondutor.

Diferença de função trabalho

Mesmo com tensão externa zero, gate e semicondutor podem ter funções trabalho diferentes.

Defina:

Φ_MS = Φ_M - Φ_S

onde Φ_M e Φ_S representam as funções trabalho do gate e do semicondutor em unidades consistentes.

Para óxido ideal sem carga fixa, a tensão necessária para deixar as bandas planas está relacionada a essa diferença.

Com carga efetiva de óxido/interface Q_ox:

V_FB = Φ_MS - Q_ox / C_ox

como aproximação de primeira ordem.

Em um dispositivo real Q_ox pode representar populações de carga distintas e espacialmente distribuídas.

Condição de flat-band

Flat-band significa que as bandas do semicondutor não estão encurvadas por campo elétrico macroscópico próximo à superfície no modelo unidimensional.

Em flat-band:

ψ_s = 0

e a região de espaço carregado associada ao bending MOS desaparece no modelo.

Flat-band não significa:

  • ausência de movimento microscópico;
  • função trabalho idêntica;
  • ausência de campos atômicos;
  • capacitância zero.

Significa apenas ausência de band bending macroscópico no semicondutor sob a convenção usada.

Caso de referência com substrato tipo p

Considere substrato uniformemente dopado tipo p com concentração aceitora N_A.

No bulk, buracos são portadores majoritários.

A tensão de gate altera as populações da superfície.

Regimes canônicos:

gate negativo
    -> acumulação

gate levemente/moderadamente positivo
    -> depleção

gate mais positivo
    -> inversão

Para substrato tipo n, papéis dos portadores e polaridades se invertem.

Acumulação

Gate suficientemente negativo atrai buracos para a interface óxido-semicondutor.

A concentração superficial de buracos supera a do bulk.

carga negativa no gate
       ||
óxido  ||
       ||
+++++++    buracos acumulados
semicondutor tipo p

A carga induzida é majoritariamente móvel e se concentra próximo à superfície.

No limite ideal quase-estático, a capacitância total em forte acumulação aproxima-se de C_ox porque o semicondutor funciona como placa condutora efetiva perto da interface.

Depleção

Gate positivo repele buracos da superfície.

A região depletada expõe aceitadores ionizados, fixos na rede cristalina.

Na aproximação de depleção unidimensional:

ρ(x) ≈ -q N_A

dentro de largura W_d.

A equação de Poisson é:

d²ψ/dx² = -ρ/ε_s

portanto:

d²ψ/dx² = q N_A / ε_s

na convenção adotada.

Largura de depleção

Integrando Poisson com campo nulo na borda da região depletada:

W_d
=
sqrt(
  2 ε_s ψ_s / (q N_A)
)

para potencial superficial positivo no caso de substrato tipo p.

A magnitude da carga de depleção por área é:

|Q_d|
=
q N_A W_d
=
sqrt(
  2 q ε_s N_A ψ_s
)

A capacitância de depleção por área é:

C_dep
=
ε_s / W_d

À medida que W_d cresce, C_dep diminui.

Capacitância série em depleção

O pequeno sinal aplicado ao gate vê C_ox em série com C_dep:

1/C_MOS
=
1/C_ox
+
1/C_dep

ou:

C_MOS
=
(C_ox C_dep) / (C_ox + C_dep)

A capacitância medida cai abaixo de C_ox em depleção.

Esse comportamento mostra que a separação efetiva de carga se estende para dentro do semicondutor.

Potencial de superfície e concentração de portadores

Em estatística não degenerada e perto do equilíbrio, concentrações variam aproximadamente de forma exponencial com o potencial eletrostático.

No substrato tipo p, aumentar o potencial superficial positivo reduz buracos e aumenta elétrons.

A progressão física é:

potencial superficial positivo
        ↓
band bending
        ↓
buracos depletados
        ↓
concentração de elétrons cresce
        ↓
superfície pode tornar-se tipo n em relação ao bulk tipo p

Isso é inversão.

Inversão forte

A inversão forte é convencionalmente associada a potencial superficial próximo de duas vezes a magnitude do potencial de Fermi do bulk no modelo clássico de canal longo.

Defina:

φ_F
=
V_T ln(N_A / n_i)

para substrato tipo p não degenerado, onde:

V_T = kT/q

A condição clássica é:

ψ_s ≈ 2 φ_F

Nesse ponto, no modelo idealizado, a concentração superficial de elétrons torna-se comparável à concentração majoritária de buracos do bulk antes da inversão.

Isso é uma convenção de threshold baseada em modelo, não uma transição física abrupta.

Construção da tensão de threshold

Uma expressão idealizada de canal longo para NMOS é:

V_TN
=
V_FB
+
2 φ_F
+
|Q_d,max| / C_ox

com:

|Q_d,max|
=
sqrt(
  4 q ε_s N_A φ_F
)

para body-source bias zero.

Assim, threshold depende de:

  • diferença de função trabalho;
  • capacitância do óxido;
  • dopagem;
  • temperatura;
  • carga no óxido/interface;
  • body bias.

Dispositivos modernos exigem modelos mais completos.

Carga de inversão além do threshold

Após formar inversão forte, aumentar V_G não apenas continua alargando a depleção indefinidamente.

Grande parte da carga incremental do gate é balanceada por carga móvel de inversão.

Uma relação simplificada é:

Q_inv
≈
-C_ox (V_G - V_TN)

para referência local adequada e ignorando efeitos de segunda ordem.

Essa relação faz a ponte do capacitor MOS para o canal do MOSFET.

O MOSFET acrescenta source e drain, permitindo condução lateral pela camada de inversão.

Diagramas de bandas

O diagrama de bandas mostra energia eletrônica em função da posição.

O bending das bandas no semicondutor representa variação do potencial eletrostático.

Como o elétron possui carga negativa, energia potencial eletrônica varia com sinal oposto ao potencial elétrico.

O diagrama não representa literalmente colinas mecânicas.

Três visões são complementares:

Visão Objetivo
seção transversal geometria e materiais
diagrama de carga cargas no gate, depleção e inversão
diagrama de bandas energética e potencial de superfície

Separar essas representações evita confundir geometria, carga e energia.

Campo elétrico no óxido

Para óxido ideal:

E_ox
≈
V_ox / t_ox

e:

V_ox = -Q_s / C_ox

na convenção adotada.

Campo elevado pode causar:

  • tunelamento;
  • aprisionamento de carga;
  • degradação dependente do tempo;
  • breakdown.

Reduzir t_ox melhora acoplamento eletrostático, mas aumenta desafios de campo e leakage.

Equivalent oxide thickness

Dielétricos high-k permitem espessura física maior com capacitância semelhante à de SiO2 mais fino.

Uma forma idealizada de EOT é:

EOT
=
t_high-k
·
(ε_SiO2 / ε_high-k)

EOT menor corresponde a capacitância maior por área.

Stacks reais podem conter camadas interfaciais, efeitos quânticos e capacitâncias série adicionais.

Corrente de gate e tunelamento

No capacitor ideal, corrente CC através do dielétrico é zero.

Dielétrico real muito fino pode apresentar tunelamento quântico.

Assim:

modelo ideal:
    corrente de gate = 0

stack real escalado:
    corrente de gate pode ser finita

Essa diferença é importante para potência estática e confiabilidade.

Estados de interface

A interface óxido-semicondutor pode conter estados eletrônicos dentro do band gap.

Esses estados podem capturar e emitir carga em função de:

  • potencial superficial;
  • temperatura;
  • frequência de medição;
  • constantes de tempo de captura/emissão.

Eles podem alterar:

  • V_FB;
  • threshold;
  • subthreshold;
  • capacitância medida;
  • ruído.

Portanto uma curva C-V real pode divergir da ideal mesmo com t_ox conhecido.

Carga fixa e carga iônica

Dielétricos reais podem conter carga adicional.

Uma alteração de primeira ordem em tensão aparece como:

ΔV = -Q_ox / C_ox

para carga efetiva adequadamente definida.

Sinal e localização espacial importam.

Processamento controla não apenas geometria, mas também defeitos e contaminação.

C-V quase-estática

Em frequência suficientemente baixa, portadores minoritários podem responder ao pequeno sinal.

Para substrato tipo p:

V_G negativo:
    acumulação
    C ≈ C_ox

V_G crescente:
    depleção
    C diminui

inversão forte quase-estática:
    carga de inversão responde
    C pode voltar em direção a C_ox

A curva exata depende de área, temperatura, dopagem e não idealidades.

C-V em alta frequência

Em alta frequência, portadores minoritários podem não acompanhar a perturbação AC.

Então a capacitância em forte inversão pode permanecer próxima do mínimo série:

C_min
≈
(C_ox C_dep,max)
/
(C_ox + C_dep,max)

em vez de retornar a C_ox.

Por isso “a capacitância em inversão” não é um único valor sem especificar a condição de medição.

Deep depletion

Se V_G é varrido rápido demais para portadores minoritários estabelecerem inversão de equilíbrio, W_d pode crescer temporariamente além do máximo de equilíbrio.

Esse estado é deep depletion.

É uma condição de medição fora de equilíbrio.

Geração de portadores tende a alterar a condição com o tempo.

Pequeno sinal versus grande sinal

A eletrostática de grande sinal estabelece o ponto operacional.

A capacitância incremental é:

C = dQ/dV

ao redor desse ponto.

Logo um dispositivo não linear pode apresentar capacitância dependente de bias.

A expressão εA/t descreve diretamente o óxido ideal, não necessariamente a capacitância terminal total em todos os regimes.

Energia armazenada

Para capacitor linear ideal:

E = 1/2 C V²

Para capacitor MOS não linear, energia incremental se relaciona mais geralmente à integral de carga e tensão:

E = ∫ V dQ

ou, em parametrização equivalente:

E = ∫ Q dV

com limites e sinais definidos.

A aproximação 1/2 C V² continua útil para estimativas digitais quando C é tratada como aproximadamente constante no swing.

Scaling eletrostático

Reduzir dimensões altera várias grandezas simultaneamente.

Reduzir espessura dielétrica tende a:

  • aumentar C_ox;
  • fortalecer controle do gate;
  • aumentar campo para tensão fixa;
  • aumentar sensibilidade a tunelamento.

Aumentar dopagem pode:

  • reduzir W_d;
  • alterar V_T;
  • aumentar capacitâncias de junção;
  • afetar mobilidade e variabilidade.

Reduzir V_DD diminui campo e energia dinâmica, mas reduz headroom.

Scaling é otimização acoplada.

Fronteira de short-channel

O capacitor MOS clássico é unidimensional.

MOSFET de canal curto possui campos laterais de source e drain além do controle vertical do gate.

Efeitos como:

  • drain-induced barrier lowering;
  • velocity saturation;
  • short-channel threshold shift;
  • interação entre regiões de depleção;

não são capturados pelo capacitor MOS simples.

Ainda assim, ele isola e explica o mecanismo eletrostático vertical.

Dependência de temperatura

Temperatura altera:

  • kT/q;
  • n_i;
  • mobilidade;
  • geração/recombinação;
  • leakage;
  • threshold.

A expressão de φ_F depende de temperatura tanto por V_T quanto por n_i.

Logo threshold não deve ser tratado como constante universal.

Variabilidade

Dispositivos reais variam por:

  • espessura do dielétrico;
  • função trabalho;
  • estatística de dopantes;
  • densidade de traps;
  • line-edge roughness;
  • stress local;
  • gradientes de processo.

Lógica digital é projetada com margens para sobreviver a uma distribuição caracterizada de parâmetros.

Falhas e confiabilidade

Stacks MOS podem degradar ou falhar por:

  • campo elétrico excessivo;
  • breakdown do dielétrico;
  • trapping de carga;
  • mecanismos associados a hot carriers;
  • bias-temperature instability em contextos de transistor;
  • contaminação e leakage.

Modelos detalhados dependem de material, geometria, campo, temperatura e tempo.

Nenhum número de vida útil é atribuído aqui a processadores que executem ChrisOS.

Fronteira de segurança

Eletrostática MOS não possui nível de privilégio de software.

Fenômenos físicos podem participar de:

  • fault injection por glitch de tensão;
  • leakage dependente de dados;
  • canais laterais eletromagnéticos;
  • mecanismos de distúrbio em memórias.

Esses temas exigem modelos de ameaça e medições separados.

A física explica por que canais físicos existem, não prova vulnerabilidade específica do ChrisOS.

Fronteira arquitetural do ChrisOS

Na revisão da3df29cb397932c43d32373871fb9380e688ade, buscas no repositório não encontraram solver elétrico de MOSFET, capacitor MOS ou capacitância de dispositivo.

Portanto este capítulo declara intencionalmente:

sources: []
symbols: []

Nenhuma implementação é atribuída.

A fronteira é:

eletrostática MOS
      ↓
transistor no hardware físico
      ↓
gates e células de armazenamento
      ↓
microarquitetura
      ↓
ISA e contratos de dispositivo
      ↓
ChrisOS / ChrisVM

O software executa sobre a abstração produzida pelas camadas inferiores.

Inicialização

Um capacitor MOS físico não possui sequência de inicialização de sistema operacional.

O bias estabelece estado eletrostático continuamente conforme materiais, campo e carga.

Não existe função atual do ChrisOS que inicialize óxido, depleção ou inversão.

Logo nenhum fluxo de kernel é atribuído aqui.

Estado e estruturas de dados

O estado físico inclui:

ψ(x)
E(x)
ρ(x)
n(x)
p(x)
Q_g
Q_d
Q_inv

São variáveis de campo e portadores, não estruturas C do ChrisOS.

Um simulador semicondutor poderia discretizá-las em mesh/arrays.

O ChrisOS atual não faz isso.

Algoritmos e complexidade

Equações fechadas como C_ox e W_d são avaliadas em tempo constante.

Um solver numérico poderia resolver Poisson e transporte acoplados de forma iterativa em malha espacial.

A complexidade dependeria de:

  • tamanho da malha;
  • dimensionalidade;
  • iterações não lineares;
  • esparsidade da matriz;
  • solver e precondicionador.

Nenhum algoritmo desses é atribuído ao ChrisOS porque não existe no código revisado.

Propriedade de memória e ABI

O capacitor MOS físico não possui heap owner nem ABI de software.

Um simulador futuro precisaria definir propriedade para estado de malha e parâmetros.

Nenhuma ABI atual do ChrisOS expõe:

  • carga do gate;
  • ψ_s;
  • W_d;
  • campo no óxido;
  • densidade de traps.

Essas grandezas estão abaixo da abstração de software.

Concorrência

A dinâmica de portadores ocorre fisicamente de forma paralela no material.

Isso não equivale a threads ou locks.

Nenhuma ordem de locks do ChrisOS se aplica à eletrostática MOS.

Se simulação fosse implementada futuramente, ela precisaria de contrato próprio de concorrência e determinismo.

Evidência de validação deste capítulo

O checker determinístico valida relações idealizadas:

capacitância do óxido:
    C_ox = ε_ox / t_ox

largura de depleção:
    W_d = sqrt(2 ε_s ψ_s / (q N_A))

carga de depleção:
    |Q_d| = q N_A W_d

capacitância de depleção:
    C_dep = ε_s / W_d

capacitância MOS série:
    C_MOS = C_ox C_dep / (C_ox + C_dep)

potencial de Fermi:
    φ_F = V_T ln(N_A/n_i)

threshold clássico:
    V_TN = V_FB + 2φ_F + |Q_d,max|/C_ox

inversão forte:
    ψ_s ≈ 2φ_F

equivalent oxide thickness:
    EOT = t_high-k ε_SiO2/ε_high-k

energia:
    E = 1/2 C V²

O checker usa constantes ilustrativas declaradas.

Ele não valida um dispositivo fabricado.

Limitações atuais

Este capítulo não fornece:

  • process deck de foundry;
  • modelo compacto BSIM;
  • confinamento quântico;
  • solução Schrödinger-Poisson;
  • simulação short-channel;
  • dados C-V medidos;
  • previsão de vida útil do dielétrico;
  • medições transistor-level de hardware ChrisOS.

Esses temas pertencem a modelagem de dispositivo/processo e caracterização física.

Fronteira do roadmap

A progressão física é:

dopagem e bandas
        ↓
eletrostática da junção p-n
        ↓
eletrostática MOS
        ↓
acumulação / depleção / inversão
        ↓
carga de inversão
        ↓
controle do canal MOSFET
        ↓
lógica CMOS
        ↓
delay e potência de chaveamento

O capítulo transistor-cmos usa esse fundamento.

O capítulo seguinte, cmos-switching-power, desenvolve energia, delay e atividade ao carregar nós CMOS reais.

Proveniência da revisão

A fronteira do repositório foi revisada contra ChrisOS main da3df29cb397932c43d32373871fb9380e688ade.

Buscas por MOSFET, MOS capacitor e capacitance não encontraram implementação física de dispositivo nessa revisão; por isso sources e symbols permanecem vazios.

A teoria foi conferida com material do MIT 6.012 sobre estrutura MOS, acumulação, depleção e inversão. Grandezas e unidades SI seguem a BIPM SI Brochure, 9ª edição versão 4.01 publicada em junho de 2026.

Continuações que dependem deste capítulo
Registro do documento
ID: mos-capacitor Source revisado: da3df29cb397 Class: technical-chapter